Um artigo recente publicado na European Science Editing lança luz sobre um aspecto pouco discutido da comunicação científica: o desgaste enfrentado por editores acadêmicos. O texto, intitulado “Ninety-seven ignored: A personal reflection on the hidden struggles of an academic editor” (“Noventa e sete ignorados: uma reflexão pessoal sobre as lutas ocultas de um editor acadêmico”), apresenta um relato em primeira pessoa do pesquisador Himel Mondal, professor Assistente no Departamento de Fisiologia do Instituto de Ciências Médicas da Índia (AIIMS), em Deoghar, Jharkhand, Índia.

O depoimento revela que, apesar do prestígio associado ao papel editorial, a função envolve desafios operacionais significativos — especialmente a dificuldade em encontrar revisores dispostos a avaliar manuscritos. Segundo o autor, para obter apenas duas respostas positivas, é necessário enviar cerca de 30 convites. Ainda de acordo com o relato, em um caso extremo, mais de 100 convites foram enviados, sem qualquer aceitação.

Além da baixa adesão, outros problemas como atrasos nas avaliações, qualidade insuficiente de alguns pareceres e restrições de alguns revisores devido a conflitos de interesse acabam limitando ainda mais as possibilidades.

O impacto desse cenário vai além da gestão editorial. Mondal descreve uma crescente sobrecarga mental, com interferência direta na vida pessoal e familiar. A pressão por decisões pendentes, somada à ausência de remuneração ou reconhecimento formal, levou o editor ao esgotamento e, posteriormente, à decisão de deixar os cargos editoriais.

O texto também apresenta uma dimensão mais sensível do trabalho editorial, por meio de um poema que sintetiza a rotina silenciosa de enviar convites ignorados e lidar com a ausência de respostas — uma metáfora do isolamento enfrentado por muitos editores.

Ao final, o Mondal propõe uma reflexão importante: mais do que “gatekeepers” (guardiões do conhecimento científico), os editores são agentes sobrecarregados em um sistema que depende fortemente de trabalho voluntário. O artigo conclui com um apelo à empatia por parte da comunidade científica, especialmente diante dos atrasos nos processos editoriais.

“I think editors are not only gatekeepers, but they are guides caught in the storm of the academic environment, tasked with a job that demands more than what is humanly feasible. I share this not to discourage others from taking on editorial roles, but to ask for empathy. The next time a journal takes time to respond, remember: behind that delay may be a struggling editor, sending out yet another unanswered review request into the void.”

“Acho que os editores não são apenas guardiões, mas também guias presos na tempestade do ambiente acadêmico, encarregados de um trabalho que exige mais do que é humanamente possível. Compartilho isso não para desencorajar outros a assumirem funções editoriais, mas para pedir empatia. Da próxima vez que um periódico demorar a responder, lembre-se: por trás desse atraso pode haver um editor sobrecarregado, enviando mais um pedido de parecer que ficará sem resposta no vazio.” Himel Mondal

A publicação reforça a necessidade de discutir modelos mais sustentáveis para a revisão por pares e a valorização do trabalho editorial, considerado essencial para a integridade e a qualidade da ciência.


Fonte: European Science Editing
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
Confira nossa Política de Uso de IA.


Deseja divulgar a sua revista científica ou notícia gratuitamente no Periódico Eletrônico? Envie um email para

Assine nossa newsletter

Nossa newsletter agora está no Substack e você pode se inscrever gratuitamente para recebê-la diretamente em seu email, ler no app e acessar todo o conteúdo do ecossistema Peletron!

Assinar gratuitamente


Compartilhe!