A pesquisa científica brasileira vive uma desfios conhecidos: financiamento limitado, burocracias, assimetria de infraestrutura e carência de quadros técnicos. Ao mesmo tempo, atravessa uma janela rara de oportunidade. A inteligência artificial amadureceu a ponto de encurtar ciclos de descoberta, ampliar a escala de experimentos e conectar atores que tradicionalmente trabalham separados. Quando esse efeito chega de modo coordenado, a distância entre hipótese e resultado diminui e o impacto social aumenta.
É nesse contexto que um conjunto de iniciativas do Google Brasil se organiza para dar mais velocidade a quem investiga, ensina, formula políticas públicas e transforma conhecimento em soluções de mercado.
O cenário que se apresenta reúne três movimentos complementares.
Primeiro, a disponibilidade de ferramentas de IA aplicadas a problemas científicos, com destaque para modelos que antecipam estruturas biológicas e simulam materiais.
Segundo, o investimento estruturado em talentos, que mantém a renovação do ecossistema e assegura visão crítica sobre riscos e oportunidades. Terceiro, a aproximação com setores estratégicos da economia, que convertem avanços de laboratório em ganhos de produtividade, segurança e sustentabilidade.
Colocados lado a lado, esses vetores compõem uma agenda prática para que universidades, governo e indústria colaborem de forma contínua e responsável.
O que muda quando a IA entra na bancada do pesquisador
A IA já encurta caminhos em biologia, saúde, ciência de materiais e computação quântica. Um exemplo que se tornou referência é o AlphaFold, desenvolvido pela Google DeepMind, capaz de prever estruturas de milhões de proteínas com acurácia suficiente para orientar ensaios de bancada. Na prática, décadas de tentativas e erro passam a caber em semanas de iteração orientada por dados, o que abre espaço para priorizar hipóteses com maior probabilidade de êxito.
No Brasil, mais de quarenta mil pesquisadores têm acesso ao AlphaFold Database, o que amplia a capacidade de investigar doenças negligenciadas, como a Doença de Chagas, e de explorar alvos terapêuticos com mais velocidade. Para grupos de pesquisa que operam com orçamentos comprimidos, essa eficiência é decisiva, ela realoca tempo e recursos para etapas de validação e teste, onde está o custo maior.
Um encontro que reuniu ciência, políticas públicas e tecnologia
A convergência entre comunidades aconteceu de forma simbólica em São Paulo, com um evento dedicado exclusivamente à ciência, realizado em 1º de dezembro de 2025. No Museu de Arte de São Paulo, mais de cem participantes, entre pesquisadores, formuladores de políticas, especialistas do Google e da Google DeepMind, discutiram caminhos para incorporar a IA a desafios locais.
Reunir esses atores no mesmo espaço é fundamental para acelerar o alinhamento entre prioridades científicas e necessidades da sociedade, ao mesmo tempo em que facilita o entendimento regulatório e ético. A partir dessas conversas, amadurecem projetos que não dependem apenas de tecnologia, mas de governança, métricas de impacto e capacidade de transferência de conhecimento.
Para que a adoção seja sustentável, é preciso investir em pesquisa sobre impactos e salvaguardas. Foi anunciada uma parceria de três anos com o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo para a criação de uma Cátedra de IA Responsável. Sob a liderança do professor e economista Carlos Américo Pacheco, a iniciativa nasce com missão dupla: produzir conhecimento sobre riscos, oportunidades e marcos regulatórios, e formar profissionais capazes de operar sistemas de IA em contextos reais, considerando vieses, transparência, privacidade e segurança. Esse tipo de arranjo fortalece a inteligência institucional de quem formula políticas, guia boas práticas em revistas científicas e cria repertório crítico nos programas de pós-graduação.
Talentos em primeiro plano: o impulso do Google PhD Fellowship
Sem pessoas bem formadas, não há ecossistema que se sustente. Em 2025, o programa Google PhD Fellowship foi expandido para a América Latina, com inclusão do Brasil. O apoio financeiro e de mentoria alcança centenas de doutorandos em áreas de fronteira, o que alimenta laboratórios com novas ideias e técnicas. Oito pesquisadores de seis universidades brasileiras integram a turma global de 255 estudantes apoiados, em uma iniciativa que soma mais de dez milhões de dólares em investimento do Google.org.
Além do fomento individual, o programa articula uma rede internacional, que facilita coautorias, acesso a conjuntos de dados e circulação de resultados. Para o país, significa reduzir a distância entre produção local e o estado da arte, e para a comunidade editorial, a chance de elevar padrões de reprodutibilidade, documentação e abertura de código.
Colaboração com a Embraer
O terceiro pilar dessa agenda liga ciência e competitividade. Foi anunciada uma colaboração estratégica com a Embraer para explorar aplicações de IA na indústria aeronáutica. O objetivo imediato é mapear frentes de pesquisa e desenvolvimento em que modelos de IA possam transformar processos, do desenho aerodinâmico à manutenção preditiva, da otimização de rotas ao consumo de combustível, do planejamento de cadeia de suprimentos à segurança operacional.
A Embraer é uma referência global e acumula experiência em inovação regulada, o que cria um campo de prova exigente para soluções que, se bem-sucedidas, irradiam benefícios para outros setores intensivos em engenharia no Brasil.
Oportunidade que pede compromisso de longo prazo
O Brasil já possui grupos de excelência, redes de colaboração e uma indústria com ambição global. A chegada coordenada de ferramentas avançadas, programas de bolsas e parcerias setoriais oferece massa crítica para dar um salto. O sucesso depende da capacidade de manter diálogo entre ciência, sociedade e mercado, de garantir que a formação acompanhe a velocidade da tecnologia e de construir governança que trate a IA como meio para resolver problemas públicos.
Com esse compromisso, o país transforma um momento favorável em política de Estado e aproxima resultados de impacto das necessidades urgentes de saúde, meio ambiente e produtividade.
Fonte: Blog do Google Brasil
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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