Dando continuidade a análise do relatório sobre o uso de inteligência artificial na pesquisa acadêmica publicado pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD) no último dia 26, vamos explorar o perfil da amostra, a adoção das ferramentas e a frequência de uso por atividade, oferecendo uma visão mais concreta sobre o estágio atual de integração da IA na prática acadêmica. Na análise anterior, os dados já indicavam alta adesão e desafios éticos relevantes. Agora, o estudo aprofunda o olhar sobre quem são esses usuários e de que forma utilizam a IA em suas rotinas de pesquisa.

Perfil da amostra

O estudo revela uma amostra composta majoritariamente por docentes, que representam 41,2% dos respondentes, seguidos por doutorandos e mestrandos. Esse recorte evidencia que a análise está ancorada em um público com forte inserção na produção científica.

Fonte: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO (ANPAD). Grupo de Trabalho para Atualização do Manual de “Boas Práticas da Publicação Científica”. Uso da Inteligência Artificial na Pesquisa Acadêmica: práticas, percepções e princípios éticos. Maringá: ANPAD, 2026.

Do ponto de vista geográfico, há predominância das regiões Sudeste e Sul, refletindo a concentração histórica dos programas de pós-graduação no país. Em termos demográficos, observa-se um perfil equilibrado em relação ao gênero e concentrado em faixas etárias mais ativas da carreira acadêmica, entre 26 e 55 anos.

Esse conjunto de características indica que o uso de IA está sendo observado principalmente entre pesquisadores experientes e diretamente envolvidos com atividades de ensino e pesquisa.

 

Adoção de inteligência artificial

A adoção de inteligência artificial se mostra amplamente consolidada entre os participantes. Cerca de 86,7% afirmam já utilizar algum tipo de ferramenta de IA em suas atividades acadêmicas. Esse uso ocorre, em grande parte, por meio de soluções acessíveis, como ferramentas gratuitas ou modelos híbridos. No entanto, o estudo evidencia que essa adoção está concentrada no consumo de tecnologias prontas. Apenas uma parcela menor dos respondentes possui experiência no desenvolvimento de soluções baseadas em machine learning ou processamento de linguagem natural.

Fonte: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO (ANPAD). Grupo de Trabalho para Atualização do Manual de “Boas Práticas da Publicação Científica”. Uso da Inteligência Artificial na Pesquisa Acadêmica: práticas, percepções e princípios éticos. Maringá: ANPAD, 2026.

Esse dado reforça a ideia de que a IA já faz parte do cotidiano acadêmico, mas ainda é utilizada de forma operacional, com baixo nível de aprofundamento técnico.

Frequência de uso por atividade e ferramenta

Ao analisar a frequência de uso por atividade, o estudo aponta que a inteligência artificial está mais presente em etapas como escrita científica, tradução e geração de ideias. Nessas atividades, ferramentas generalistas assumem protagonismo, com destaque para o ChatGPT.

Outras plataformas, como Gemini, também aparecem com relevância, mas ferramentas especializadas voltadas à pesquisa, como Elicit, Consensus e Research Rabbit, ainda têm baixa penetração entre os usuários.

Esse padrão sugere que a escolha das ferramentas está mais relacionada à facilidade de uso e familiaridade do que à especificidade funcional. Como resultado, há um potencial ainda pouco explorado no uso de soluções desenvolvidas especificamente para apoiar o ciclo completo da pesquisa científica.

Fonte: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO (ANPAD). Grupo de Trabalho para Atualização do Manual de “Boas Práticas da Publicação Científica”. Uso da Inteligência Artificial na Pesquisa Acadêmica: práticas, percepções e princípios éticos. Maringá: ANPAD, 2026.

O aprofundamento desses dados reforça que, embora a adoção da IA seja ampla, seu uso ainda está em fase de maturação. Nas próximas matérias a análise avançará para dimensões mais críticas do estudo, incluindo o grau de concordância com o uso de IA nas diferentes etapas da pesquisa, as análises cruzadas por perfil de pesquisador, as principais barreiras à adoção, os princípios éticos que orientam esse uso e, por fim, as recomendações propostas para instituições, pesquisadores e para a própria ANPAD.


Fonte: ANPAD
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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