O Brasil ocupa atualmente a terceira posição mundial entre os países com maior número de periódicos científicos universitários ativos. O dado faz parte de um estudo publicado na revista Scientometrics, especializado em métricas e análise da produção científica, que mapeou 19.414 periódicos vinculados a universidades em 148 países. O levantamento mostra os Estados Unidos na liderança, com 2.188 revistas científicas, seguidos pela Indonésia, com 2.131 títulos. O Brasil aparece logo depois, com 1.530 periódicos universitários em atividade.

A pesquisa foi desenvolvida por especialistas do Centro Leibniz de Informação para Ciência e Tecnologia (TIB), da Alemanha, em parceria com pesquisadores da Universidade de Tampere, na Finlândia, e da Universidade Hacettepe, na Turquia. Para realizar o mapeamento, os autores utilizaram dados da Ulrichsweb, uma das mais tradicionais bases internacionais de diretórios de periódicos acadêmicos.

O estudo chama atenção para um aspecto relevante do ecossistema científico brasileiro: a forte presença das universidades públicas na comunicação científica. Diferentemente do modelo predominante em países onde grandes editoras comerciais concentram boa parte das publicações acadêmicas, no Brasil muitas revistas científicas são mantidas diretamente por universidades, programas de pós-graduação, faculdades, institutos de pesquisa e bibliotecas universitárias.

Segundo os pesquisadores, esse modelo ajuda a explicar a posição brasileira no ranking global. O país possui um sistema robusto de pós-graduação e uma cultura consolidada de publicação científica institucional, fortemente estimulada pelas políticas de avaliação da Capes. A exigência de produção acadêmica contínua para programas de mestrado e doutorado incentivou, ao longo das últimas décadas, a criação e manutenção de periódicos próprios nas universidades brasileiras.

Outro ponto destacado pelo levantamento é o peso do acesso aberto. Aproximadamente metade dos periódicos universitários analisados opera nesse modelo, permitindo acesso gratuito ao conteúdo científico. No caso brasileiro, essa característica é ainda mais marcante devido à ampla adoção de plataformas como o Open Journal Systems, desenvolvido pelo Public Knowledge Project, e à presença de iniciativas estruturantes como a SciELO, criada em 1998 e reconhecida internacionalmente como referência em ciência aberta.

Os autores observam que os periódicos universitários cumprem funções que vão além da simples publicação de artigos. Em muitos países, especialmente na América Latina, essas revistas atuam como instrumentos de fortalecimento da ciência local, divulgação de pesquisas regionais e ampliação da circulação de conhecimento produzido fora dos grandes centros editoriais internacionais.

Apesar do destaque numérico, o estudo também aponta desafios. Muitos periódicos universitários enfrentam limitações financeiras, dependência de trabalho voluntário de editores e dificuldades para alcançar maior internacionalização e impacto bibliométrico. A sustentabilidade editorial, a profissionalização das equipes e a adoção de tecnologias de indexação, preservação digital e interoperabilidade continuam sendo obstáculos importantes para parte das revistas científicas brasileiras.

Ainda assim, o desempenho do Brasil evidencia a relevância da infraestrutura universitária nacional para a comunicação científica. Em um cenário global marcado pela discussão sobre ciência aberta, democratização do acesso ao conhecimento e soberania científica, a presença brasileira entre os líderes mundiais reforça o papel estratégico das universidades públicas na produção e disseminação da pesquisa acadêmica.


Fonte: Revista Pesquisa Fapesp
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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