A Rede Brasileira de Reprodutibilidade lançou, em 2026, um documento estratégico com 10 recomendações para promover a ciência aberta e reprodutível nos programas de pós-graduação do país. A iniciativa surge em um momento em que a CAPES passa a incorporar critérios de ciência aberta na avaliação dos programas e em que o Plano Nacional de Pós-Graduação 2025–2029 reforça o papel da pesquisa científica no desenvolvimento nacional. Nesse contexto, o material não apenas apresenta diretrizes, mas propõe uma mudança estrutural na forma como a ciência é produzida, avaliada e compartilhada no Brasil.

O documento parte do princípio de que a adoção de práticas abertas e reprodutíveis deve ocorrer ao longo de todo o ciclo da pesquisa, desde a formação dos pesquisadores até a disseminação dos resultados. Por isso, as recomendações não são isoladas, mas interdependentes, formando um conjunto coerente de ações que se reforçam mutuamente. A seguir, essas diretrizes são detalhadas, evidenciando como podem ser aplicadas na prática pelos programas de pós-graduação.

  1. Não basear a seleção em métricas quantitativas
    A recomendação propõe que a escolha de orientadores e estudantes não seja guiada principalmente por indicadores como número de artigos ou citações. Esses parâmetros podem distorcer a avaliação da qualidade científica, favorecendo volume em detrimento de rigor. A proposta incentiva avaliações qualitativas mais criteriosas e contextualizadas, promovendo maior equidade e diversidade na pós-graduação.
  2. Evitar exigências de publicação incompatíveis com o curso
    O documento alerta contra a obrigatoriedade excessiva de publicações como condição para defesa ou permanência no programa. Esse tipo de exigência pode estimular práticas apressadas e comprometer a qualidade da pesquisa. Como alternativa, recomenda-se considerar preprints e outras formas de disseminação científica compatíveis com o tempo de formação.
  3. Garantir acesso aberto às produções acadêmicas
    A disponibilização de artigos, teses e dissertações em acesso aberto é vista como essencial para ampliar o alcance da ciência. O documento destaca o uso de repositórios e licenças abertas como estratégias eficazes, evitando a dependência de modelos pagos e reforçando o caráter público do conhecimento científico.
  4. Exigir compartilhamento de dados e materiais de pesquisa
    A recomendação enfatiza que artigos científicos não são suficientes para garantir reprodutibilidade. É necessário disponibilizar dados, códigos, protocolos e outros insumos da pesquisa em repositórios confiáveis, seguindo princípios FAIR. Exceções são admitidas apenas quando justificadas por questões éticas ou legais.
  5. Capacitar pesquisadores em ciência aberta e reprodutibilidade
    O documento destaca a necessidade de formação contínua de docentes e discentes em boas práticas científicas. Isso inclui treinamento em metodologia, estatística, gestão de dados e transparência. A capacitação é vista como fundamental para viabilizar a implementação efetiva das demais recomendações.
  6. Priorizar rigor metodológico na avaliação acadêmica
    Os processos avaliativos devem valorizar principalmente a qualidade metodológica das pesquisas, em vez de impacto ou originalidade isolados. Estudos de replicação também devem ser reconhecidos como contribuições válidas, contribuindo para a confiabilidade do conhecimento científico.
  7. Solicitar plano de gestão de dados desde o início do projeto
    A elaboração de um plano de gestão de dados no início da pesquisa ajuda a garantir organização, preservação e compartilhamento adequado das informações. O documento recomenda que esse plano seja avaliado ao longo do projeto, fortalecendo a integridade e a transparência da pesquisa.
  8. Estimular a abertura de recursos educacionais
    Materiais produzidos pelos programas, como aulas, seminários e apostilas, devem ser disponibilizados publicamente sempre que possível. Essa prática amplia o impacto social da pós-graduação e contribui para a democratização do conhecimento.
  9. Valorizar contribuições além da produção científica
    A avaliação acadêmica deve reconhecer atividades como revisão por pares, extensão, ensino e divulgação científica. Essa abordagem amplia o conceito de impacto e contribui para uma formação mais completa dos pesquisadores.
  10. Garantir crédito ético e transparente na autoria e orientação
    A atribuição de autoria e orientação deve refletir fielmente as contribuições individuais. O documento recomenda o uso de sistemas como a taxonomia CRediT e reforça a importância da integridade científica na distribuição de créditos.
Fonte: RBR - Resumo das 10 recomendações para uma ciência aberta e reprodutível na pós-graduação

No conjunto, as 10 recomendações formam um modelo integrado que conecta avaliação, formação, produção e disseminação científica. Mais do que diretrizes pontuais, o documento propõe uma reconfiguração da cultura acadêmica, alinhando a pós-graduação brasileira às tendências internacionais de ciência aberta e fortalecendo a confiabilidade, a relevância e o impacto da pesquisa.

Acesse o documento completo aqui:  Recomendações para uma Ciência Aberta e Reprodutível na Pós-Graduação

 


Fonte: Rede Brasileira de Reprodutibilidade
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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